Comércio de Pouso Alegre mostra resiliência à crise e lidera contratações na região

Não está fácil para ninguém. A crise econômica trouxe para baixo os mais variados indicadores de performance dos mercados, mas, vez ou outra, aqui e ali surgem números, que, se não são excepcionais, trazem algum alento. É o caso do comércio de Pouso Alegre. Em 2016, ele foi o único setor no município a fechar o mercado de trabalho no azul. Foram 30 novas geradas, o melhor desempenho entre as três maiores cidades da região. Varginha gerou menos da metade: 12 postos. Já Poços de Caldas, fechou 239 vagas.

 
O primeiro bimestre de 2017 também comprova a resiliência do setor em Pouso Alegre. Tradicionalmente, o período é de cortes no setor. E eles de fato ocorreram, mas em ritmo bem mais lento que nas outras cidades da região. Enquanto o município fechou 101 postos no setor, Varginha fechou 157 e Poços de Caldas 239.

 
A resiliência do setor chama a atenção em uma cidade cujo segmento que mais inseria pessoas no mercado de trabalho, a indústria, fechou nada menos que 1.071 vagas de trabalho. Uma das pistas para o bom desempenho são as bases macroeconômicas de uma cidade-polo cercada por pequenos municípios com bom poder aquisitivo e cuja população utiliza largamente as vastas opções de serviços oferecidos pela cidade.

 
Outra pista pode ser encontrada nas esferas representativas do setor, como a Associação da Indústria e do Comércio, a Acipa, e mesmo aqueles com alcance regional, como o Sindicato do Comércio do Vale do Sapucaí, o Sindvale.
Em ações coordenadas, essas entidades estimulam o reposicionamento do comércio para enfrentar momentos adversos como a crise atual. O presidente do Sindvale, Alexandre Magno, conta que o sindicato atuam em diversas frentes para enfrentar a crise. Conta com parceiros como a Confederação Nacional do Comércio, o Sesc e o Senac, além de oferecer serviços e produtos para apoiar os empresários.

 
Mas para o presidente do Sindicato, é empreendedor o maior responsável por seu próprio sucesso. “Abrir a si a novas situações, se adequar a elas e encontrar as possibilidades é que faz o empreendedor ultrapassar as dificuldades do momento. Devemos nos unir para superar a inércia gerada pela crise econômica”.
Aproveitar as oportunidades que a crise oferece é um item da lição de casa que os empreendedores não podem deixar de fazer. Nesse exato momento, uma chance de ampliar as vendas pode estar passando desapercebido pela vitrine dos comerciantes. O superintendente do SerraSul Shopping, maior centro de compras da região, Jean Mendes, cita a liberação das contas inativas do FGTS como uma excelente oportunidade de fazer negócios.

 

“Estamos situados em uma microrregião com cerca de 490 mil trabalhadores que estão no regime formal de trabalho, muitos deles com direito ao saque das contas inativas do FGTS”, lembra. O superintendente ressalta que a injeção de liquidez na economia se dará ao longo de um período de mudança de estação, o que pode favorecer ainda mais as vendas de setores do varejo como moda, cama, mesa e banho, além de serviços. “Certamente esses setores vão tirar ainda melhor proveito, mas é preciso oferecer boas condições de preço e produtos de qualidade. Com a economia em recuperação, os consumidores continuam cautelosos e cada vez mais exigentes”, considera.