Entrevista da semana: Vereador Dr. Edson

A energia com que conduz seu primeiro mandato no Legislativo tem atraído atenções para o vereador Dr. Edson (PSDB). O advogado não foge do embate e procura defender com veemência as ideias em que acredita. Edson Donizeti Ramos de Oliveira é filho de Nelson Bernardo de Oliveira e Célia Ramos de Oliveira. Sua raiz política remonta ao movimento estudantil. Foi presidente atuante do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito do Sul de Minas – FDSM. Advogado, é pós-graduado em Direito Civil, Processual Civil, Ciências Jurídicas e Direito Constitucional. Na tribuna da Câmara ou na proposição de projetos, o parlamentar tem dado provas de que segue emulando o desejo de mudança e a indignação popular com a velha política. Dr. Edson concedeu a seguinte entrevista ao Jornal do Estado:

 

Jornal do Estado: O Senhor chegou ao Legislativo representado um forte desejo de mudança da população. Quais as primeiras impressões a respeito da Câmara agora que faz parte dela?

 

Dr. Edson: De fato o momento pelo qual passava o país na época das eleições era e ainda é de um extremo desejo de mudança na forma de atuação das instituições e dos poderes públicos; desejo este que traz no seu âmago a necessidade de ética, de moralidade, de justiça e de transparência que deve existir no trato com as questões públicas. E em que pese tudo isso, percebo, agora na Câmara, que os poderes constituídos ainda não assimilaram de pronto o recado das ruas, por isso, infelizmente, ainda se mostram resistentes a muitas dessas mudanças.

 

J.E.: Apesar de pertencer à base do governo, o senhor costuma fazer algumas criticas à Prefeitura, como no caso da falta de medicamentos. O senhor pretende manter esta postura crítica? Esta postura integra o seu entendimento de como deve agir o vereador?

 

Dr. Edson: Essa minha postura integra o meu entendimento de como deve agir o cidadão de bem que quer e deseja um futuro melhor para a coletividade. Além do mais, não vejo como crítica, mas como apontamentos e diretrizes que podem auxiliar o Executivo na prestação dos serviços básicos e essenciais como saúde, transporte e educação. Quanto ao que se chama de base do Governo, acredito ser uma dicotomia que deve ser abandonada nos dias atuais, não podemos dividir a Poder Legislativo entre “Nós” e “Eles” somos todos partes de um mesmo Poder que deve ser harmônico ao Executivo, mas guardar independência em relação a ele.

 

J.E.: Para àquelas pessoas que votaram no senhor com forte desejo de mudança, o que o senhor diria hoje? Esta mudança começou a ocorrer? Quais os maiores desafios para que ela de fato aconteça e tenhamos instituições mais alinhadas com as demandas da coletividade?

 

Dr. Edson: A mudança é uma constante, estamos sempre em processo de mudança, a diferença é que no atual momento o combustível que alimenta essa transformação tem base no repúdio coletivo aos atos de corrupção, na indignação com a falta de ética, de moralidade, de justiça e de respeito no trato com as coisas públicas. Por isso, acredito que o maior desafio no alinhamento das instituições com as demandas coletivas esta na profunda renovação ética e moral dos quadros políticos do país.

 

J.E.: Como o senhor estruturou o seu mandato entorno da elaboração de projetos? Já tem algum que considera mais importante?

 

Dr. Edson: Não acredito que existam projetos mais ou menos importantes, todos, sem exceção, são fundamentais para aquela parcela da população assistida por ele. Assim, um projeto que beneficia o atleta nunca será mais ou menos importante do que aquele que beneficia o idoso. Um que beneficie o estudante não será mais ou menos importante do que aquele que irá beneficiar os comerciantes ou os moradores em situação de rua. Mas vale registrar, neste diapasão, que em 100 dias no legislativo já apresentei mais de 30 (trinta) projetos nas áreas de educação, transporte público, saúde, meio ambiente, trânsito, agricultura e outros; seis deles, já foram sancionados pelo Prefeito Municipal; vale destacá-los, projeto de fomento a cultura do morango, projeto que obriga as agências bancárias a disponibilizarem caixas eletrônicos em altura compatível para pessoas com necessidades especiais, criação do certificado de empresa sustentável, projeto que orienta e combate o uso de drogas ilícitas, projeto que dispõe sobre a obrigatoriedade de instalação de banheiros químicos para deficientes em shows e eventos públicos e um sexto projeto que dispõe sobre a sinalização reluzente de caçambas de entulho.

 
Outros três projetos que tratam de defesa dos direitos das minorias portadoras do espectro autista, Síndrome de Down, deficientes físicos e gravidas, aguardam sanção do Poder Executivo. Outros ainda, como o projeto que visava a inserção da disciplina de noções de direito e cidadania na grade curricular das escolas municipais, o qual abriu caminho para o estudo de direito constitucional levando a “Constituição em Miúdos” para as salas de aula do município, o Projeto Passe Livre para Estudantes Carentes e o Projeto que dispunha sobre um Programa de Redução da Violência nas Escolas, foram rejeitados. Todos eles, acredito eu, importantes e necessários para a melhoria da qualidade de vida dos pouso-alegrenses.

 

J.E.: E quanto à fiscalização, outra atribuição legal do vereador, como o senhor estruturou o seu mandato para acompanhar as ações do Poder Executivo?

 

Dr. Edson: Depois da atividade legislativa, a fiscalização é a mais importante atuação do vereador e nesse ponto, vou atuar preventivamente com investigações e apontamentos técnicos por entender que tal expediente pode auxiliar e acautelar o Poder Executivo nas suas contratações, compromissos e gastos; como fiz, por exemplo, ao pedir a abertura de auditoria das constas da gestão passada, ao noticiar que a empresa contratada em caráter emergencial e, por tanto, com a dispensa de licitação para os serviços de coleta dos resíduos sólidos domiciliares, lixo urbano, a VINA, responde processos judiciais por fraude em licitações públicas em outros municípios de Minas Gerais e ainda quando requeri a abertura de processo administrativo e cancelamento de contrato de prestação de serviços firmado com a concessionaria de transportes públicos, a Viação Princesa do Sul.

 

J.E.: Em meio à enorme descrença da população com a política e, em especial, com os políticos, como o senhor acredita que os vereadores podem contribuir para resgatar a credibilidade de nossas instituições e figuras públicas?

 

Dr. Edson: A receita é simples: basta não colocarmos as propostas de campanha nas gavetas, manter a coerência em relação ao que dissemos no período eleitoral, honrar os compromissos ali assumidos e ter como palavras de ordem: trabalho, fiscalização e transparência.