Entrevista da semana: vereador Rafael Aboláfio

A estatura do vereador Rafael Aboláfio destaca o parlamentar entre os colegas, mas não é esse o atributo que mais impressiona no advogado e empresário bem-sucedido. É do político grandalhão que vem a postura mais afável do Legislativo pouso-alegrense. A dose de respeito e humildade que o vereador leva ao debate político do município conduz a uma civilidade pouco vista e sentida no tenso cenário atual.

Carente de figuras que personifiquem consensos e aparem arestas, a política local tem no vereador um forte candidato a administrar tensões. É o que faz crer o desempenho do parlamentar em seus primeiros sete meses de mandato. Aboláfio tem rejeitado verdades pré-estabelecidas e defendido máxima cautela na tomada de decisões que vão influir profundamente no dia a dia dos pouso-alegrenses. Mais do que defender seus pontos de vista, centra esforços na busca das soluções que vão garantir o bem-estar da população, desprendimento que define com precisão sua conduta no Legislativo. Ao JE, o parlamentar de 53 anos concedeu a entrevista que segue:

 

Jornal do Estado: Com o desgaste dos partidos na esfera federal, dá para considerarmos que esta é uma Câmara menos partidarizada?

Rafael Aboláfio: Primeiro vale ressaltar que o mandato é do partido, e não do titular da cadeira. Em nossa cidade, a Câmara Municipal elegeu 11 vereadores colegiados com a chapa vencedora do Prefeito atual, sendo o restante da chapa de apoio a outro candidato, incluso este vereador. Porém, ao assumir o mandato fiz questão de ressaltar a importância do apartidarismo, ou seja, a ausência de cor partidária e sim priorizar o compromisso assumido com a população de fiscalizar o Poder Executivo e votar as leis importantes para o nosso município. Óbvio que pode ocorrer divergências de opinião, mas isso é importante no Estado Democrático de Direito, onde podemos apresentar nosso ponto de vista, dialogar com os demais para encontrarmos um denominador comum, que resulte no melhor benefício à população.

Em todas as minhas falas, tenho ressaltado sobre a importância de ética na política, com respeito às instituições e a todos que a elas integram. O mandato de um representante do povo, tem que ser responsável com políticos sem demagogias e oposição consciente, quando ocorrer divergências de opiniões, quando da votação de projetos de interesse da população. Todos sabemos, que o diálogo é o melhor caminho para a relação harmônica entre os Poderes, e a realização dos objetivos comuns, e solidificação da Democracia.

J.E.: Qual avaliação o senhor faz da administração do prefeito Rafael Simões nesses quase sete meses de mandato?

R.A.: Do meu ponto de vista, não deveria existir essa máxima de 100 dias de governo, pois se faz necessário um tempo para que o Executivo junto com os secretários se ajuste e conheça a realidade do governo, para que possa colocar em prática suas ações, certo de que nenhum governo, nem este ou as que passaram, quiseram errar.

J.E.: Apesar da crise, Pouso Alegre passa por um período de intensa expansão econômica, com reflexos na explosão imobiliária, demanda por serviços públicos geração de emprego e renda. Como a Câmara pode contribuir para enfrentar esses desafios e garantir que o crescimento seja ordenado? É possível que oposição e situação se unam em torno de objetivos comuns?

R.A.: A Câmara aprovou recentemente a vinda de mais uma unidade da empresa Cimed, com a permuta de uma área para sua instalação e mais contatos com outras empresas estão sendo feitos. Precisamos ampliar o mini-distrito, para as pequenas e médias empresas. Quanto ao crescimento ordenado, se faz necessário que aprovemos um Plano Diretor que atenda esta realidade. Com visão para o futuro. A respeito de oposição e situação, no meu coração não existe cor partidária, mas sim, atitudes, as necessidades e anseios da população, e espero que os demais pares comunguem desta filosofia.

J.E.: Como o vereador estruturou seu mandato em torno da elaboração de projetos? Tem alguma proposta que considera mais importante?

R.A.: Quando assumi esta gestão trouxe no meu íntimo o compromisso de dar continuidade no meu trabalho voluntário junto aos asilos, creches e demais entidades filantrópicas, esportivas e culturais e Deus me abençoou de poder fazer parte da comissão que trata dos Idosos, Deficientes e da Ordem Social.

Apresentei o projeto que trata da expedição de alvarás em caráter provisório, pelo período de 60 dias, até que as empresas e entidades regularizem suas questões com a vigilância sanitária, corpo de bombeiros e meio ambiente.

 

J.E.: E quanto à fiscalização, outra atribuição legal do vereador, como foi estruturado o seu mandato para acompanhar as ações do poder Executivo?

R.A.: Estamos acompanhando os processos licitatórios, cumprindo com a nossa função e apresentando nossas ponderações de forma construtiva, sem politizar.

J.E.: Em meio à enorme descrença da população com a política e, em especial, com os políticos, como o senhor acredita que os vereadores podem contribuir para resgatar a credibilidade de nossas instituições e figuras públicas?

R.A.: Tendo Deus no coração, nome a zelar e compromisso com a população, se dedicando ao máximo na resolução dos problemas.