Mais uma varejista fecha as portas em Pouso Alegre

Adevanir Vaz | jornaldoestado@gmail.com

A debacle que pôs ao chão a economia brasileira ressoou mais fortemente nos últimos meses em dois setores: comércio e serviços. O movimento é resultado do último fator gerado pela recessão, o desemprego em massa. Estima-se que a fileira de desolados já esteja se aproximando de 14 milhões. Pouso Alegre, acostumada a dados econômicos superlativos nos últimos anos, não resistiu à fase mais aguda da recessão e, desde 2015, tem fechado postos de trabalho.

 
Em 2016, foram 1,6 mil demissões. O fechamento de grandes indústrias como a Sumidenso e a Tigre contribuíram de forma decisiva para o quadro. O resultado foi o encolhimento do setor de serviços e a inanição do comércio. As baixas foram inevitáveis. Depois do fechamento de unidades de gigantes varejistas como o Bretas, do grupo Cencosud, e do Magazine Luiza, soube-se nesta quarta-feira (29) que a loja de departamentos Zema cerrará suas portas até a primeira quinzena de abril.

 
A varejista já opera com capacidade reduzida, com algumas portas fechadas e 50% dos funcionários que já possuiu. O último ato dos 8 trabalhadores que restaram é a queima do estoque final da unidade. A eles foi ofertada a transferência para outras unidades da região. Como contou ao portal Terra do Mandu o gerente da filial, Renan Miguel dos Reis: “Se a pessoa tiver de acordo de mudar de município, vão ser remanejados”.

 
Redução de custos não foi o suficiente
A Zema integra uma rede de lojas que no passado foram mais conhecidas como Eletrozema. Pertence à Companhia homônima, com negócios nos ramos de combustíveis, auto-peças, consórcios e moda. Mas foi de fato o braço varejista do grupo sediado em Araxá, no Triângulo Mineiro, que sentiu mais duramente os golpes da crise. Ao fim de 2016, o segmento já contabilizava 68 lojas fechadas e 2,1 mil funcionários demitidos em todo o país.

 
Em Pouso Alegre, o ocaso se anunciava há tempos. A direção da unidade promoveu redução de custos, com corte de funcionários e de materiais, mas um último item no redimensionamento de despesas não pode ser cortado, o aluguel. Os donos do imóvel não apenas não quiseram reduzir como propuseram aumento. “Não teve negociação e acabamos rescindindo o contrato. E, infelizmente, vamos desativar a filial aqui”, contou o gerente da loja ao portal Terra do Mandu.

 
Perspectiva
O momento é duro para o varejo brasileiro. O ano de 2016 foi encerrado como o pior da história para o setor, que fechou 108,7 mil pontos de venda. A diminuição da massa salarial, o endividamento das famílias e o desemprego crescente explicam a depressão. Os primeiros sinais de recuperação da economia brasileira já são sentidos, mas por enquanto, os dados mostram que a situação apenas parou de piorar.

 
Em São Paulo, por exemplo, a previsão ainda é de queda para o comércio no primeiro semestre do ano. O setor pode encolher até 5% no período. A partir do segundo semestre, o quadro deve começar a melhorar. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) trabalha com a perspectiva de, pelo menos, encerramento da sequência de quedas no setor. (Com informações do portal Terra do Mandu)